segunda-feira, 1 de junho de 2009

o começo do fim

Primeiro dia de aula. Bah que coisa mais complicada. Aquele silencio, todo mundo quieto, se olhando, mas ninguém diz nada, aquele climão. E quando alguém falava alguma coisa eu nem sempre entendia completamente. Muita gíria, e aquele jeito preguiçoso que todo adolescente tem de falar. Sim, adolescentes! Eu sou uma senhora idosa perto daquelas crianças. Alguns deles recém entraram na faculdade. Somos em 11. Uma menina que parece a mais inteligente do mundo, meio irritadinha assim sabe, que nem nos filmes. A popular, faz esportes, toca intrumentos, conhece todo mundo em casa esquina. O popular, jogador de baseball, chegou com o olho roxo pagando de machão. O gordinho, amigo do popular, que jura que eh popular também. O quieto, cara de esperto, inteligente e que não tá ali pra brincadeira. E mais algumas pessoas com personalidades não tão marcantes assim. E as estrangeiras. Sim não estou sozinha! Uma menina da Espanha. Tadinha, chegou ontem, não entende direito o que as pessoas falam. Parece eu quando cheguei. Só de lembrar me deu arrepios! Mas vai funcionar assim. Até o final de julho tu tem que desenvolver algum projeto no sistema visual no lab que tu tá e dai no final tem que apresentar um poster sobre teu trabalho. Toda quarta-feira de tarde vai ter uma palestra com algum dos professores do departamento e depois tem pizza e filme de graça pra galera. Pra mim tá combinado. Daí depois de tudo acertado, a gente teve uma manhã de reconhecimento de área. Fomos pelo campus, passamos pelos lugares importantes da universidade e no final da manhã tivemos um almoço com os professores. E foi aí que começou o final. Conversei com meu chefe sobre eu voltar pro Brasil em agosto, como o combinado no começo. Acho que não é novidade pra mais ninguém que eu não vou ficar por aqui. Mas queria conversar com ele e explicar tudo. Me sentia na obrigação de fazer isso. Foi uma conversa bacana, me deu dicas pro futuro, o que eu devo melhorar na minha formação pra ser mais competitiva, do que eu devo pensar antes das minhas escolhas profissionais, uma coisa bem de conselheiro e bem proveitosa. E eu acho que todo esse tempo foi muito importante. Como que eu ia tomar uma decisão sobre ficar aqui mais ou não sem me conhecer melhor. E o que eu mais aprendi nessa viagem foi quem sou eu. Eu sou uma nutricionista. Nutricionista de verdade, que dá dicas pra todo mundo, que adora ajudar os outros com o que sabe sobre nutrição, que tem prazer em comer bem e se sente bem comendo bem. Eu sou completamente nutricionista com uns 46% pesquisadora. Daí é que vem o perigo. Pesquisa pra mim é muito e nutrição, purinha assim, eu acho muito pouco. Dizem que a virtude não está no meio-termo, mas talvez a minha realização profissional esteja extamente lá. E é pensando nisso que eu to voltando pra casa, dia 4 de agosto às 23h45min chegando no Salgado Filho, como o combinado. Ver minha família, meus amigos e meu namorado (é tão bom que eu não gosto nem de pensar). E voltar pra casa pra trabalhar com a nutrição e ver se eu encontro meu meio-termo em algum lugar por lá.
Hoje eu virei a penúltima página do calendário que eu fiz do tempo que eu vou ficar aqui. Em exatos dois meses eu saio de Rochester. E, sinceramente, eu não vejo a hora!

Um comentário:

  1. Gabex, nós também estamos na expectativa dessa chegada! A partir de agora, contagem regressiva...
    Bjs

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